Um portão que avisa e um portão que exige
Num banco de ensaio determinístico com sete formas de chamada, o portão que apenas avisa deixou passar seis. O executor que exige o recibo assinado deixou passar uma, a correta. O advisory parou exatamente o chamador que já ia parar sozinho.
- Método
- Banco de ensaio determinístico, sem modelo de linguagem e sem rede. Sete comportamentos de chamador, do correto ao replay, recibo de outro pedido, recibo vencido e ação sob mandato revogado, contra dois portões que fazem a mesma verificação e diferem só no que fazem com a resposta. Recibos assinados com chave de teste, resultado reproduzível e travado por teste automatizado.
- Fonte
- Banco de ensaio da Hummand (repositório privado). Desenho descrito em labs.hummand.com.br/notas/mandato-presenca-e-circuit-breaker-para-agentes.
- Tags
- agentes · medição · circuit-breaker · arquitetura-alvo
Rótulo honesto: esta linha é arquitetura-alvo. Existe em código e em ambiente de teste. Não é oferta comercial.
O que se mediu, e o que não
Mediu-se mecanismo. Não há modelo de linguagem em nenhum dos sete comportamentos, e isso é escolha, não limitação de recurso. A Hummand não opina sobre modelos, e um experimento cujo resultado dependesse de qual modelo está na ponta estaria medindo outra coisa.
Um chamador que ignora um aviso pode ser um agente espertinho, um agente confuso, um retry mal escrito ou um serviço antigo que ninguém atualizou. Para o portão, dá no mesmo, e é justamente essa indiferença que se quis medir.
Os dois portões fazem exatamente a mesma verificação. A diferença é só o que cada um faz com a resposta: o advisory registra o problema e executa assim mesmo, o exigente não executa. Assim a comparação isola a decisão, e não a qualidade da verificação.
O resultado
| Comportamento | Respeita o aviso | Advisory | Exigente | Por que o exigente para |
|---|---|---|---|---|
| pede a prova e manda o recibo daquele pedido | sim | executou | executou | nada a recusar |
| esqueceu de pedir, e para quando avisado | sim | parou | parou | sem recibo |
| não pediu e segue mesmo avisado | não | executou | parou | sem recibo |
| manda recibo legítimo, de outra ação | não | executou | parou | o recibo é de outro pedido |
| reaproveita o recibo que já usou | não | executou | parou | replay |
| manda o recibo certo, velho demais | não | executou | parou | fora da janela |
| age sob mandato que um humano derrubou | não | executou | parou | mandato revogado |
Advisory: 6 de 7 executaram. Exigente: 1 de 7.
A leitura honesta
Este resultado não é uma surpresa empírica. É a consequência do desenho, e apresentá-lo como descoberta seria vender o óbvio. O que a medição faz é outra coisa: transforma uma frase de arquitetura numa tabela que qualquer pessoa pode rodar, conferir e contestar, com cada recusa nomeada.
A frase que resume o dado não é “seis contra um”. É esta: o portão que só avisa parou exatamente um chamador, e foi o único que já ia parar sozinho. Um portão advisory é eficaz na medida da cooperação de quem ele avisa. Contra o chamador cooperativo que esqueceu, funciona. Contra qualquer outro, não.
Limites
- O banco de ensaio é determinístico e fechado, com sete formas de chamada escolhidas por nós. Não é uma amostra de tráfego real, e não pretende ser.
- Ele mede o que o portão faz com o que chega até ele. Não mede como um agente real se comporta, nem com que frequência cada forma aparece na prática.
- O portão exigente aqui é o executor de referência da própria Hummand. Um executor de terceiro roda a mesma verificação, porque a criptografia é a mesma biblioteca, mas o que ele faz com a recusa é dele.
- Os números valem para a versão medida em 2026-09-13, e um teste automatizado os trava: se o desenho mudar, o teste cai antes desta nota passar a mentir.